Até pouco tempo atrás, golpes digitais tinham sinais bem claros: erros de português, sites mal feitos, fotos estranhas. Hoje, com a popularização da inteligência artificial, muitos golpes ficaram quase perfeitos: vozes idênticas às de familiares, vídeos falsos bem realistas, e-mails que parecem escritos por seu banco de verdade.
A impressão é de que, se você não for especialista em tecnologia, está indefeso.
Mas isso não é verdade.
Neste artigo, você vai conhecer 5 golpes sofisticados que usam IA e, principalmente, aprender como se proteger na prática, usando regras simples e comportamento atento — sem precisar entender nada de programação.
1. Golpe da voz clonada (deepfake de áudio)
Neste golpe, criminosos usam IA para copiar a voz de alguém a partir de áudios curtos: um vídeo do Instagram, um áudio de WhatsApp, uma live. Depois, ligam para parentes ou colegas, fingindo estar em situação de emergência:
“Mãe, é o João. Preciso que faça um PIX agora, meu celular foi roubado.”
Como o tom e o jeito de falar são parecidos, quem atende entra em pânico e não questiona a história.
Como se proteger
- Estabeleça uma palavra-chave em família.
Combine um “código de segurança” que só vocês conhecem. Em situações de pedido de ajuda por telefone, a pessoa precisa falar esse código. - Desconfie sempre de pedidos urgentes de dinheiro.
Mesmo reconhecendo a voz, desligue e retorne para o número oficial da pessoa. - Não exponha detalhes pessoais demais em redes.
Quanto mais dado público, mais fácil montar histórias convincentes.
2. Vídeos falsos “perfeitos” (deepfake de vídeo)
Os deepfakes de vídeo usam IA para colocar o rosto de alguém em outro corpo ou para fazer a pessoa “dizer” algo que nunca falou. Criminosos já usam isso para:
- fingir que um CEO autorizou uma transferência;
- criar “depoimentos” falsos de famosos recomendando investimentos;
- simular autoridades pedindo dados ou pagamentos.
Como se proteger
- Nunca tome decisões importantes baseado em um vídeo isolado.
Se for algo que envolva dinheiro ou dados, confirme por outro canal oficial (e-mail corporativo, telefonema conhecido, reunião). - Desconfie de vídeos com promessas exageradas.
“Esse famoso garante que você vai ganhar dinheiro fácil” é um clássico para atrair curiosos. - Observe o contexto, não só a imagem.
O vídeo apareceu do nada, sem ser em canal oficial, com legenda apelativa? Trate como suspeito.
3. Phishing personalizado com IA (e-mails e mensagens “perfeitos”)
Antes, golpes por e-mail e mensagem eram cheios de erros e estranhezas. Hoje, a IA ajuda criminosos a:
- escrever textos com português correto e tom profissional;
- adaptar a mensagem ao seu contexto (“vimos que você comprou recentemente…”, “sobre o seu currículo enviado…”);
- criar assuntos que parecem relevantes, aumentando a chance de clique.
Como se proteger
- Não clique em links recebidos do nada.
Especialmente se falarem de “urgência”, “bloqueio de conta”, “atualização obrigatória”. - Confira o remetente real.
Endereços com nome de empresa + números aleatórios ou domínios estranhos são um forte sinal de golpe. - Prefira acessar o serviço digitando o endereço do site.
Em vez de clicar em um link de e-mail do “banco”, entre direto pelo site ou app oficial e veja se há algum aviso lá dentro.
4. Chatbots falsos de suporte ao cliente
Com IA, golpistas criam chatbots que parecem atendimento real de empresas: banco, operadora, e-commerce. Eles respondem em português correto, chamam pelo nome (com base em dados vazados) e conduzem a conversa até você entregar:
- dados de cartão;
- senhas de acesso;
- códigos de SMS de autenticação.
Esses chatbots podem estar em sites falsos, números de WhatsApp não oficiais ou anúncios patrocinados.
Como se proteger
- Sempre confira se o canal é oficial.
Sites, aplicativos e perfis de empresa costumam ter selos de verificação, domínios profissionais e são divulgados no próprio site da marca. - Jamais digite senha ou código 2FA em chats de “suporte”.
Nenhuma empresa séria pede isso por chat, WhatsApp ou e-mail. - Desconfie de atendimentos que pressionam por rapidez.
“Se você não enviar o código agora, sua conta será cancelada” é típico de golpe.
5. Sites e anúncios inteiros gerados por IA
Outra forma sofisticada de golpe é o uso de IA para montar sites muito bem feitos em poucos minutos:
- textos com copy profissional;
- imagens bem produzidas;
- depoimentos convincentes (mas falsos);
- anúncios bonitos chamando para essas páginas.
Tudo isso pode ser criado com ferramentas de IA sem que o criminoso tenha grande conhecimento técnico.
Como se proteger
- Não se impressione só com o visual do site.
Qualquer pessoa pode criar algo bonito hoje. Foque em sinais objetivos: CNPJ, endereço, telefone, reputação em buscadores. - Pesquise o nome da loja + “reclamações/golpe”.
Em poucos minutos dá para ver se outras pessoas já caíram naquela mesma página. - Prefira marcas e intermediários conhecidos.
Plataformas de pagamento, marketplaces consolidados e lojas oficiais ainda são o caminho mais seguro para compras.
“Mas eu não entendo de IA, como vou me proteger?”
A boa notícia é que você não precisa entender a tecnologia por trás dos golpes. O que realmente importa é:
- adotar uma postura de desconfiança saudável;
- nunca tomar decisões importantes com base em apelo emocional + urgência;
- confirmar informações por canais oficiais e independentes;
- proteger suas contas com senhas fortes e autenticação em duas etapas.
A IA facilita o trabalho dos golpistas, mas também pode ser usada a seu favor (verificação de segurança em navegadores, filtros de spam, alertas de login suspeito). Aproveite esses recursos.
Conclusão: comportamento crítico ainda é o melhor antivírus
Os golpes com inteligência artificial estão ficando mais sofisticados, porém seguem a mesma lógica de sempre: enganar você para que faça algo contra seus próprios interesses.
Se você aprender a:
- desconfiar de pedidos urgentes de dinheiro ou dados,
- checar a origem dos contatos, links e vídeos,
- e confirmar qualquer coisa importante por um segundo canal,
já estará muito à frente da maioria das vítimas.
IA nenhuma consegue derrubar alguém que não age no impulso.
E, na dúvida, lembre-se: se a situação te deixar nervoso, com medo ou euforia demais, pare, respire e verifique antes de clicar, pagar ou responder.